domingo, 17 de março de 2013

ERRANTE


Errante 

Do que fizera, do que vivera, apenas restaram vozes. Soturnas vozes desconexas, a lhe torrar os miolos.
Deu as costas para o mundo, num belo dia de frio. Ia sumir por aí, seguindo o rumo do vento. Voltaria quando as vozes, enfraquecidas e roucas, se cansassem do caminho e lhe pedissem arrego.
Não voltou, nem deu notícias. Caminha torto pelo mundo afora, a sacudir a cabeça. As vozes, atrapalhadas, seguem seus passos errantes. Aguentam firme a toada, marcando o ritmo trôpego.

Otacílio  Monteiro

5 comentários:

  1. Prosa poética cheia de beleza. Envolvente. Um tanto triste, mas que lindo texto. Parabéns, Otacílio Monteiro. Bom nos perder pels bandas de cá.

    Beijo ternurento e votos de sucesso.

    Clau Assi

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