sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Rochosa


Rochosa


Não posso dar o mergulho.
Temo bater de cabeça
nas pedras do teu orgulho.



Otacílio Monteiro

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Criança





Criança esperança

Mas que papel!
Tem mais bala que brinquedo
na sacola do Noel.


Otacílio Monteiro

domingo, 2 de dezembro de 2012

"A solidão é fera, a solidão devora"


Canto de Mesa

  
Prefiro a solidão, o abandono...
Como se fora objeto
Sobre a mesa,
Sobre o canto, insignificante,
De qualquer mesa de casa.
Antes assim
Do que ser objeto
De outrem.
Não me falem de amor
Por enquanto.
O encanto acabou
E o melhor remédio
É a solidão completa
Das horas frias e tristes.
Frias, tristes e previsíveis
Como os objetos frios,
Abandonados no canto
De qualquer mesa de casa.

  

Otacílio  Monteiro

Do livro Setenta Mil Faces, 1998 - esgotado

sábado, 1 de dezembro de 2012

Refrigério


Arco-iris número 2

 












Arco-íris no fundo de quintal de casa, 2009. 
Presente que não tem preço.



Você chove em mim.
Chuva é bom.
Alimenta o solo,
purifica o ar,
refrigera os dias.
Amarro-me em chuva.
Você chove em mim...
E é dia de sol.

Otacílio Monteiro

Ainda sobre escrever!



Refúgio

Aqui estou novamente.
Apresento-me assim,
desarmado e contente,
para o único dever
que me satisfaz ainda.
Deixei para trás a teoria,
e as rimas que pintarem,
acredita-me, são casuais.
A dureza maior da melancolia
é não saber ao certo o motivo.
Eu vivo assim há muito
e é por isso que sempre volto
e me refugio nas tuas listras,
nas tuas linhas aconchegantes,
desde muito antes de saber
que a vida pode ser dura
ou não, dependendo de mim.
Apresento-me assim, desarmado,
um tanto quanto mais magro
e cansado dos dias que passam.
Venho recuperar as forças
no teu sangue branco e preto,
meu amigo predileto,
minha folha de papel.

 Otacílio Monteiro
O Direito da Voz (1990)


A tola missão de fazer poemas



Solto


Eu cumpro na terra a minha missão
tolíssima de escrever poemas.
De retalhar palavras e empilhar histórias
do arco-da-velha e velhas memórias.
Eu cumpro na terra minha missão
de conhecer meninas pro meu coração
e de roubar pedaços do teu dia-a-dia
e arrebentar cadarços de meninas novas
e buscar estrelas nas manhãs chorosas
e escrever poemas de ponta porosa
e encharcar mil terras de maneira óbvia
e nesta rodovia ultrapassar mil carros
e não fazer problemas de milhões de escarros
aguentando a barra dum trabalho escravo
o cravo na lapela e na janela o jarro
o jarro na capela e na capela o padre
o padre na miséria e na espera a madre
a madre no poema e no poema o povo
o povo na gandaia a saia ergueu de novo
o novo no poema é estar sempre
solto.

Otacílio Monteiro
Poematéria, 1989 - esgotado


Otacílio Monteiro, no Museu da Língua portuguesa (2004)

15º Prêmio Cidadão de Poesia

XV Prêmio Cidadão de Poesia 

Homenagem ao professor José Ângelo Ribeiro e diplomação dos vencedores. 
Os destaques foram Luiz Carlos de Andrade (Categoria Regional) e Reginaldo Costa de Albuquerque (Categoria Livre). 
Promoção do Sinecol - Sindicato dos Comerciários de Limeira. Detalhes em www.sinecol.com.br 



Paulinho, presidente do Sinecol, e José Ângelo

Otacílio, Paulinho e José Ângelo

Débora Vidoretti e Emanuel Massaro

Virgínia Jubran e a magia da Dança do Ventre

Valdomiro e a poetisa Zenaide Elias

Poetisa Lóla Prata

Érido, poeta Geraldo Trombin e João Sedano

Poetisa Nathalie Cristine Gallo

Ivo Cardoso, Fiore (representando Reginaldo Albuquerque) e João Sedano

Ivo Cardoso e  poeta Marcos Lima

Nivaldo Paresque, poeta André de Freitas Barbosa e João Sedano